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Juazeiro se mobiliza para período das grandes romarias

31 de Agosto de 2017 - A praÁa dos romeiros passa por pequenas reformas  para receber romeiros a partir da prÛxima semana.  - REGIONAL - 02re0217  -  NLVL

A Prefeitura está realizando obras na infraestrutura, principalmente, nas áreas próximas à Basílica de Nossa Senhora das Dores ( Foto: Antonio Rodrigues )

Uma das novidades neste ano é a unidade móvel da Guarda Civil Municipal (GCM), que reforçará a segurança

Juazeiro do Norte Há menos de duas semanas para o início dos festejos de Nossa Senhora das Dores, padroeira do município, a Prefeitura, o comércio e a Igreja se preparam para receber a segunda maior romaria do Ceará. Apesar de algumas atividades iniciadas no último mês, esta cidade se mobiliza, principalmente, para o período da “Grande Romaria”, entre os dias 9 e 15 de setembro, quando são esperados 400 mil fiéis de todo o Nordeste.

Uma das novidades este ano é a unidade móvel da Guarda Civil Municipal (GCM), que servirá como ponto de apoio ao contingente de 85 guardas, que trabalharão em dois períodos, de 7h às 14h e das 14h às 22h. Eles atuarão em áreas de maior concentração de romeiros, como a Basílica de Nossa Senhora das Dores, o Centro de Apoio aos Romeiros, a Colina do Horto, o Mercado Central, a Praça Padre Cícero, a Capela do Socorro e o Memorial Padre Cícero.

Além disso, a Prefeitura está realizando obras na infraestrutura, principalmente, nas áreas próximas à Basílica de Nossa Senhora das Dores. Já foram refeitos o calçamento e a pintura de bancos na praça do Centro de Apoio aos Romeiros. “A praça estava escura. A gente achou muito bom isso, pois o romeiro vai ver que o ambiente está mais agradável e seguro”, exalta a comerciante Cícera Bezerra, que possui restaurante no local.

No entanto, segundo a Secretaria de Turismo e Romaria (Setur), a principal obra é a reforma do estacionamento do romeiro, vizinho ao Luzeiro do Nordeste, que foi revitalizado, teve a construção de oito banheiros com chuveiros e recebeu calçamento e asfalto no seu entorno. “O objetivo foi reduzir os veículos de grande porte espalhados pela cidade, além de dar maior comodidade aos motoristas”, explica o secretário da pasta, Júnior Feitosa. O local poderá receber até 185 ônibus.

Segundo o Padre Cícero José, pároco da Basílica de Nossa Senhora das Dores, o estacionamento é uma das principais reivindicações dos romeiros, pois irá desafogar o trânsito na região próxima ao centro do Município, que concentra a maioria dos visitantes. “Até então, Juazeiro não tinha um estacionamento onde pudessem deixar seus veículos em segurança. As ruas ficavam lotadas, dificultando a mobilidade urbana”.

Letreiro

A Serra do Catolé, no alto do Horto, receberá um letreiro de quinze metros de altura com frase “Juazeiro, cidade de fé”. Ele fará parte do complexo do Horto, ao lado da estátua do Padre Cícero, como mais uma atração para os visitantes. A obra será realizada pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria de Cidades e custará mais de R$ 1,5 mi para a sua edificação. A obra deve ficar pronta em dez meses, a partir da assinatura da ordem de serviço.

Na semana da romaria de Nossa Senhora das Dores, o município recebe centenas de comerciantes que procuram aumentar a renda. É nesse período que o comércio informal aquece. Os romeiros procuram panelas de alumínio, bijuterias, redes de renda, confecções, artigos importados e as imagens de santos, principalmente. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Juazeiro do Norte (CDL), os setores mais movimentados são de serviços (bares e restaurantes) e hoteleiro; no entanto, a moeda que passa por ambulantes e camelôs circula dentro da cidade, estimulando a economia local.

A comerciante Joana Darc Pereira, que trabalha há 12 anos vendendo panelas, acredita que este ano o comércio será movimentado, apesar de ter diminuído no último ano, graças a crise econômica e os tempos de seca. “Muitos desses romeiros vêm da agricultura, da lavoura. Quando não chove, diminui sempre. Aqueles estados que passam por essas secas têm uma queda. O corte dos benefícios sociais também influenciou, pois, muitos romeiros dependem daquela renda”, acrescenta.

Ranchos

Estas dificuldades financeiras impedem algumas famílias de peregrinar até Juazeiro. Porém, muitas mantêm a tradição utilizando do serviço centenário dos ranchos, “hotéis informais” que recebem os fiéis nas épocas de romaria. Amontoados entre malas, redes, camas e os produtos comprados em Juazeiro, as famílias costumam, tradicionalmente, se hospedar no mesmo local há vários anos.

A casa de Severino Praxedes é um desses lugares que recebem dezenas de romeiros. Seu rancho fica em frente ao Centro de Apoio aos Romeiros e, apesar de ter 32 quartos, “muitos fazem questão de dormir fora deles”, conta, explicando que há fregueses tão antigos que alguns são filhos ou genros de pessoas já falecidas que visitavam Juazeiro do Norte. No entanto, o local só funciona nos períodos de romaria. É nessa época que a família do rancheiro emprega oito pessoas para cuidar da limpeza e manutenção do lugar.

Durante o período de romaria, serão realizadas, diariamente, quatro celebrações na Basílica de Nossa Senhora das Dores e na Capela do Socorro. Os padres irão atender os romeiros para confissões e acolhidas. No dia 14 de setembro, acontece a procissão dos transportes, saindo do 2º Batalhão, às 15h. No dia seguinte, terá outra grande caminhada religiosa com saída da Basílica de Nossa Senhora das Dores.

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