20% da população de Fortaleza tem obesidade

-04 20% da população de Fortaleza tem obesidade

O risco de morte prematura entre as pessoas acima do peso ou obesas é três vezes maior em homens que em mulheres ( Foto: pixabay )

No Brasil, o maior percentual de pessoas com obesidade está na faixa etária dos 20 aos 30 anos

Quem nota o calçadão da Avenida Beira Mar lotado de corredores todas as manhãs, as centenas de bikes verdes do Bicicletar cruzando a cidade e a popularização das corridas de rua em Fortaleza pode não estar a par de um dado alarmante: 20% dos fortalezenses estão obesos e 56,5% vivem com sobrepeso, conforme a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2016, divulgada neste ano pelo Ministério da Saúde. Em números absolutos, são cerca de 520 mil obesos e 1,4 milhão de pessoas com sobrepeso.

“São índices acima da média nacional, que é de 53% para o sobrepeso e 18,9% para a obesidade”, ressalta o cirurgião bariátrico Paulo Eduardo Campelo. Segundo o especialista, as duas condições estão associadas principalmente ao sedentarismo e à alimentação industrializada, rica em sódio e gorduras. “Esses alimentos costumam ser vendidos a preços mais baratos, então é mais fácil levar um deles que comprar fruta”.

Campelo explica que, no Brasil, o maior percentual de pessoas com obesidade está na faixa etária dos 20 aos 30 anos, embora a obesidade infantil também venha preocupando os médicos. A doença é crônica e pode ter causas nutricionais, psicológicas, endócrinas e genéticas. Por conta do maior índice de gordura corporal, surgem comorbidades como diabetes (índice de 8,2% em Fortaleza) e hipertensão arterial (22,1%, segundo a Vigitel), além de colesterol alto e doenças articulares.

Dores nos joelhos, respiração ofegante, apneia do sono. O estudante Marcelo Carvalho, 20, sentia tudo isso até junho do ano passado, quando chegou a pesar os 140kg adquiridos pela predisposição da família e por maus hábitos alimentares. “O tempo era muito corrido; eu estudava e trabalhava, então buscava comer o que era mais rápido e prático”, conta.

Um ano e quatro meses depois, ele comemora os 47kg perdidos com a rotina na academia de musculação e com um novo cardápio alimentar montado por um nutrólogo. A mudança de estilo de vida foi tão benéfica que ele chegou a trocar a faculdade de Administração pela de Nutrição.

Cirurgia

O tratamento da obesidade é multiprofissional, com equipes formadas por psicólogos, nutricionistas e médicos. A intervenção cirúrgica é reservada a casos de obesidade mórbida, quando o Índice de Massa Corporal (IMC) é maior que 35kg/m² e o paciente tem duas comorbidades, ou quando ele ultrapassa 40kg/m², mesmo sem outras doenças associadas. “A cirurgia, a longo prazo, é o que controla melhor a obesidade, se comparada ao tratamento clínico com dietas e atividades físicas”, afirma o cirurgião Paulo Campelo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a intervenção vem crescendo no Brasil. Em 2012, foram realizadas 72 mil cirurgias no País; em 2013, 80 mil; em 2014, cerca de 88 mil; em 2015, o número cresceu para 93,5 mil e, em 2016, 100,5 mil. Do total, a entidade estima que apenas 10% sejam feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os índices colocam o Brasil na segunda colocação entre os países que mais realizam a cirurgia, atrás apenas dos Estados Unidos.

No entanto, alerta Campelo, a cirurgia por si só não tem efeito se não forem adotados novos hábitos no pós-operatório. Por isso, a taxa de insucesso é próxima de 17%. “Quem quer perder peso naturalmente pode iniciar atividades físicas de, no mínimo, 30 minutos por dia, pelo menos 5 vezes por semana, e melhorar a alimentação. E nada de dietas da moda ou tratamentos a curto prazo, porque eles emagrecem rápido, mas não conseguem manter o peso ideal”, sustenta.

Mobilização

Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção à Obesidade, nesta quarta (11), o Instituto AMO promove uma manhã de serviços no calçadão da Av. Beira Mar. Das 6h às 9h, a população poderá receber orientação nutricional, aferir a pressão arterial e calcular o IMC, tudo de forma gratuita.

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