Ceará Economia

Mercado de trabalho do Ceará dá sinais de retomada, diz IDT

04 de janeiro de 2016. Atendimento no Sine IDT, Sistema Nacional de Empregos, Instituto de Desenvolvimento do Trabalho.  - Negocios - 14ne1892  -  FABIANE DE PAULA

Entre janeiro e julho deste ano, o Estado registrou 227,9 mil demissões e 214,3 mil contratações, com saldo negativo de 13,7 mil empregos ( FOTO: FABIANE DE PAULA )

Mercado de trabalho do Ceará dá sinais de retomada, diz IDT. Os dados que embasam tais percepções estão no estudo outubro 2017″

Embora o saldo ainda seja negativo no acumulado do ano, os números mostram melhora ante 2016

por Levi de Freitas – Repórter

A atividade econômica cearense dá sinais cada vez mais claros de que se recupera da crise que enfrentou nos últimos anos. Há, nos principais indicadores do mercado de trabalho estadual, a percepção da retomada dos rumos do crescimento, com a evidente queda no ritmo dos desligamentos do emprego com carteira assinada, por exemplo. A estabilidade nos indicadores de desemprego, embora em patamar ainda bastante elevado, deixa no passado as trajetórias de queda, apontando para uma recuperação, ainda que lenta, porém, gradual.

Os dados que embasam tais percepções estão no estudo “Emprego, Desemprego e Subutilização da Força de Trabalho no Ceará: Indícios de Recuperação – outubro 2017”, realizado pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). A análise é do analista de mercado de trabalho do IDT, Mardônio de Oliveira Costa.

O estudo apresentou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho nos sete primeiros meses de 2017. No período, o Estado do Ceará registrou o total de 227,9 mil demissões ante 214,3 mil contratações, contabilizando 13,7 mil empregos extintos. O valor, no entanto, é quase a metade do que havia sido registrado em igual período de 2016, quando foram 28,8 mil demissões a mais que contratações.

Declínio

“A média mensal de desligamentos (-13,6%) declinou com mais intensidade que a média mensal de admissões (-8,8%); o número médio mensal de empregados desligados nos dois períodos, diante da média mensal de admitidos, caiu à metade em termos relativos, de 12,2% para 6,4%; além dos saldos positivos de emprego em junho (133 empregos) e especialmente em julho de 2017 (1.871), ao contrário do verificado em 2016, quando todos os saldos mensais dos sete primeiros meses do ano foram negativos, constatações que apontam para a perda de intensidade dessa dinâmica contracionista do emprego formal no Ceará, conformando um cenário mais positivo para o mercado laboral cearense”, indica o estudo do IDT.

A análise aponta, ainda, que a intensidade das demissões de trabalhadores vem perdendo ímpeto nos mercados de trabalho da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e do Interior do Estado. Na metrópole, foram menos 10,2 mil empregos no período, enquanto 3,4 mil vagas foram fechadas no restante do território cearense. Na comparação com 2016, as quedas dos saldos negativos de emprego registraram -60,5% na RMF e -58,7% no Interior.

Dentre os destaques positivos, que têm puxado a recuperação do Estado, estão setores que evoluíram de resultados negativos entre janeiro e julho de 2016 para números positivos, em igual período de 2017. Houve expansão do emprego na administração pública (mais 637 empregos) e nos serviços industriais de utilidade pública (111). Eles ajudaram a amenizar os saldos negativos no setor de serviços (menos 1.987 empregos) e de extrativa mineral (199 vagas a menos). Indústria de transformação (menos 3.528 empregos), construção civil (1.425 vagas a menos), comércio (-6.534) e agropecuária (-733), apesar de apresentarem redução nas vagas formais, têm números inferiores aos indicados nos primeiros sete meses do ano passado, “indicando um avanço mais comedido das demissões frente aos números de trabalhadores admitidos”, segundo o IDT.

“Significa dizer que o mercado de trabalho formal do Estado parece caminhar para um quadro de estabilidade, depois de um longo período de deterioração, com a eliminação de empregos cada vez menor, o que fora constatado na região metropolitana de Fortaleza e no Interior do estado, ao longo dos primeiros sete meses de 2017, o que pode, em boa medida, ser creditado aos indicativos de recuperação da economia cearense verificados no primeiro semestre de 2017”, sentenciou o Instituto, que completou: “No outro extremo, o número de desempregados, de trabalhadores subutilizados e as taxas de desemprego e de subutilização da força de trabalho cearense ainda são recordes, apesar dos primeiros sinais de melhora”.

País

Conforme o estudo, a economia nacional começa a emitir os primeiros sinais de estabilização, fato este evidenciado através dos números do Ceará, quando observados os dados do segundo trimestre de 2017. Para o IDT, há indícios de que a economia brasileira está deixando a recessão para trás, após dois anos de forte retração da atividade econômica do País.

“Diante dessa nova conjuntura, o movimento de demissão de empregados no mercado de trabalho nacional vem perdendo força nos últimos meses, mostrando alguma reação do emprego formal, até porque houve geração do emprego com carteira assinada entre abril e julho desse ano, indicando o início de um gradual processo de recuperação do emprego, apesar das ainda elevadas taxas de desemprego e de subutilização da força de trabalho, realidade evidenciada também no Estado do Ceará”, diz o estudo.

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