Agência Intera

Publicado em 26/04/2013 às 10h19:

Funceme registra precipitações em 105 municípios

Apesar das chuvas verificadas nos últimos dias, não houve recarga considerável nos açudes cearenses

O Açude Figueiredo, localizado entre Iracema e Alto Santo (FOTO: JANUÁRIO LIMA)

O Açude Figueiredo, localizado entre Iracema e Alto Santo (FOTO: JANUÁRIO LIMA)

PLUVIOMETRIA NO CEARÁ

Iguatu. Choveu em 105 municípios, ontem, no Estado, de acordo com registro da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A maior ocorreu em Iracema (68mm), seguida de Jaguaribara (54mm) e Ererê (63mm). As chuvas ocorreram com maior frequência na área Leste, desde Beberibe, no Litoral Norte, até o Cariri cearense, no Sul do Estado. De acordo com a Funceme, a tendência é que esse quadro favorável deve perder força nas próximas 48 horas. O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, explicou que essas precipitações registradas na madrugada de ontem foi provocada por dois sistemas. No Litoral Norte, houve influência de um ramo da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que é o principal fator de chuvas no Nordeste. "A Zona de Convergência desceu um pouco, isto é, aproximou-se mais da costa do Ceará", disse.

O Açude Figueiredo, localizado entre Iracema e Alto Santo, e que levou anos para sua construção em vista de disputas judiciais, finalmente recebe água pela primeira vez após sua inauguração. Ele foi construído pelo Dnocs 

As precipitações verificadas na área Leste com maior intensidade na região Jaguaribana foram provocadas por influência de ventos do Oceano Atlântico que encontraram altas umidades. "Esse modelo atual tem formação rápida e é diferente daquele que provocou chuvas no início da semana, favorecidas por ventos de Nordeste que convergiram com alta umidade relativa do ar", explicou Fritz. "Nessa época do ano, diferentes fatores atuam sobre o Ceará, provocando chuvas localizadas".

Fenômeno

A Funceme encontra limites na previsão de ocorrência de chuvas porque os sistemas apresentam formação rápida e também se dissipam com facilidade. "A gente olha para as fotos de satélite e não há formação de nuvens de chuvas, mas poucas horas depois já pode iniciar um sistema localizado que favorece as precipitações", disse Fritz.

Os meteorologistas da Funceme acompanham diariamente as condições atmosféricas, pressão, formação de nuvens, a localização da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) principal sistema formador de chuvas no Nordeste, e a temperatura das águas superficiais dos oceanos Atlântico e Pacífico. "Infelizmente, no geral, não temos um modelo que aponte para boas condições de precipitações", reafirmou Fritz.

As últimas chuvas caídas desde a semana passada em várias regiões do Ceará, embora localizadas, trouxeram alívio para os produtores rurais. A terra molhada facilitou o surgimento de pastagem nativa para alimentar o rebanho. Em decorrência das dificuldades de aquisição de milho e de ração, com preços elevados, para os animais, os criadores festejam as últimas precipitações que banham o Estado.

Por serem chuvas localizadas e de reduzida intensidade, ainda não há recarga dos principais reservatórios do Estado. Onde houve, é praticamente insignificante com menos de 10%. O acúmulo médio nos açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) é de 43%.

Apesar de a situação ser crítica, os grandes reservatórios ainda acumulam reserva favorável de água. O Castanhão, o maior do Estado, está com quase 52% da capacidade. O volume atual do Açude Orós chega a 65% e do Trussu, no Alto Jaguaribe, que abastece a cidade de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará, está com 70,5% de sua capacidade.

Depois de vários anos de construção e luta na justiça por indenizações de antigos proprietários de terra, o Açude Figueiredo, edificado pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), entre os municípios de Iracema e Alto Santo, no Leste do Ceará, ficou pronto em janeiro passado e agora com as recentes chuvas recebeu as primeiras águas. O reservatório tem capacidade para acumular 520 milhões de metros cúbicos de água. Até a semana passada, por falta de chuvas, estava seco.

De acordo com monitoramente da Cogerh, atualmente, só dois açudes estão com volume acima de 90%. São eles: Curral Velho, localizado no município de Morada Nova, na Bacia do Rio Banabuiú, que está com 94,4%; e Gavião, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, que tem 94,62%. Com volume inferior a 30%, há 70 açudes. As últimas chuvas trouxeram melhoria para os criadores, mas o quadro de estiagem permanece grave.

Pasto

"Em algumas áreas surgiram um pouco de pasto nativo, que ajuda na alimentação do rebanho, disse o produtor, Marconi Souza, da localidade de Santa Rosa, na zona rural de Iguatu.

O agricultor, Paulo Alencar, esteve, ontem pela manhã, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu e relatou esperança de colher um pouco de milho e de feijão que cultivou no fim do mês passado. Em todo o Estado, os criadores reclamam na demora das ações governamentais para a convivência com a estiagem.

"Há vários anúncios, promessas, mas na prática, os recursos não chegam até o campo no momento e na quantidade necessária", observou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Natália Feitosa.

Mais informações:
Funceme - Fortaleza
Telefone: (85) 3101. 1117
www.funceme.gov.br
Cogerh
(88) 3218.7038

Fonte

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