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Tiroteio dentro da Cadeia Pública de Pentecoste deixa 2 mortos e 9 feridos

Cadeia Pública de Pentecoste teve 11 detentos feridos, dos quais dois morreram ( Foto: Kid Júnior )

Tiroteio dentro da Cadeia Pública de Pentecoste deixa 2 mortos e 9 feridos

O caso é semelhante ao ocorrido na Cadeia Pública de Itapajé no dia 29 de janeiro deste ano, quando uma briga entre internos de facções rivais deixou dez presos mortos e oito feridos

A Cadeia Pública de Pentecoste, município da zona norte do Estado, a cerca de 80 km de Fortaleza, registrou um tiroteio na manhã desta quarta-feira (7). Segundo a Polícia Militar da cidade, dois detentos morreram e outros nove ficaram feridos. A PM afirmou ainda que nenhum dos feridos deixou a unidade prisional sem vida e todos foram levados a um hospital.

O ocorrido é consequência da briga entre facções, mas os responsáveis pelo local não souberam informar como o tiroteio se iniciou. Ainda segundo a PM, pelo menos três armas de fogo estavam na posse dos presos. Logo após o crime, cinco suspeitos foram conduzidos à delegacia da cidade para prestarem depoimento.

Cadeia de Pentecoste em estrutura precária estava com 63 presos (crédito diariodonordeste)

Nesta terça-feira (6), a Polícia Militar, em vistoria, encontrou 13 celulares, 10 carregadores eletrônicos, munições, um cossoco e uma chibanca, que é uma ferramenta semelhante à picareta.  A PM disse ainda que a unidade estava com 63 detentos.

Estrutura precária

De acordo com defensor público Emerson Castello Branco, uma agente penitenciária evitou a morte de mais pessoas, pois, ao perceber a movimentação, interveio. Ele disse ainda que o local não tinha condições para abrigar os presos.

“As cadeias públicas estão destruídas, não tem condição nenhuma de presos continuarem em cadeias. Isso nem cadeia é, é uma casa adaptada para ser uma cadeia pública, sem segurança alguma. Como é que eu posso ter vários presos no local sem segurança e, principalmente, sem condições humanas para suportar um ambiente deste?”, pontuou.

Já o promotor Jairo Pequeno Neto, do Ministério Público do Ceará (MP/CE), afirmou que vai solicitar a abertura de um inquérito para apurar se houve facilitação de algum agente público para a entrega das armas. Ele afirmou ainda que vai peticionar a interdição total da cadeia por meio de uma Ação Civil Pública, já que o pedido para interdição parcial foi pedido ano passado.

“Eu entrei com Ação Civil Pública [em 2017]. O juiz interditou parcialmente enquanto a Sejus fazia uma reforma paliativa. Houve essa pequena reforma, alguns presos foram transferidos e voltaram para lá. Hoje, tinha uns 52 presos lá. A Cadeia não estava superlotada, mas lotada estava. Creio que eram umas 40 vagas”, disse o promotor.

Neto disse ainda que cerca de 25 presos serão tranferidos para unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Cenário de violência

O caso é semelhante ao da chacina ocorrida na Cadeia Pública de Itapajé no dia 29 de janeiro deste ano, quando uma briga entre internos de facções rivais deixou dez presos mortos e oito feridos. Os detentos possuíam facas e armas de fogo dentro da unidade.

No dia 16 de fevereiro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou os atos de violência.

Nota da Sejus

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) informa dois óbitos na Cadeia Pública de Pentecoste, na manhã desta quarta-feira (7). Os internos iniciaram uma briga entre grupos rivais e deixaram 11 pessoas feridas. Duas delas receberam atendimento, mas faleceram a caminho do hospital. Outros dois internos tiveram ferimentos graves e precisarão ser transferidos para outra cidade, enquanto os demais recebem acompanhamento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e na própria cadeia. As causas do conflito estão sendo apuradas pela Delegacia de Pentecoste.

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